Autoconceito, agressividade e perfecionismo em pessoal militar

  José Vasconcelos-Raposo¹, Emilie Pinheiro¹, Sara Pereira¹, Félix Arbinaga² y Carla M. Teixeira¹
  ¹Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Departamento de Psicologia (Portugal) ²Universidad de Huelva, Departamento de Psicología Clínica y Experimental (Espanha)
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Vasconcelos-Raposo, J., Pinheiro, E., Pereira, S., Arbinaga, F., & Teixeira, C. M. (2017). Autoconceito, agressividade e perfecionismo em pessoal militar. PSIENCIA. Revista Latinoamericana de Ciencia Psicológica, 9. doi: 10.5872/psiencia/9.2.23

Resumen

Resumen

Pretende-se compreender o perfil dos militares portugueses no que concerne aos níveis de Agressividade, Autoconceito e Perfecionismo, recorrendo a análises comparativas por género e patente militar. A amostra foi constituída por 183 militares, com idades entre os 18 e os 35 anos, 18 do género feminino e 165 do género masculino. As variáveis do estudo foram avaliadas através da Escala Multidimensional de Perfecionismo, Questionário de Agressividade e Inventário Clínico de Autoconceito. Os resultados demonstram que o perfil geral dos militares se caracteriza por níveis elevados de Perfecionismo e Autoconceito gerais e níveis moderados de Agressividade Geral. A comparação entre géneros evidenciou diferenças significativas nos resultados apenas no que concerne aos níveis de agressividade. Por outro lado, as análises comparativas das patentes militares indicam a existência de diferenças significativas nos níveis de autoconceito e agressividade. Os resultados demonstram que a agressividade se correlaciona negativamente com o autoconceito e positivamente com o perfecionismo.

Palabras Clave: Agressão, Autoconceito, Perfecionismo, Pessoal Militar

Introducción

Introducción

De todos os contextos profissionais a carreira militar é uma dos mais exigentes. Os rigores profissionais vão das tarefas com extrema complexidade cognitiva, condição física, até às situações de elevada stresse e perigosidade. É inquestionável que estas pressões físicas e psicológicas têm um impacto direto em vários domínios da vida quotidiana destes indivíduos, quer sejam os de índole pessoal, familiar, social e profissional (Anunciação, 2008; Surrador, 2001). Independentemente da fase da carreira, os militares desde as suas patentes mais jovens às mais veteranas enfrentam condições de extrema adversidade, sem que, em momento algum, sejam aliviados ou descuidados os rigores impostos pela profissão e que se tipificam por serem de altos padrões de prestação, eficácia e liderança. Estes padrões são incutidos desde a fase de seleção e com o passar dos tempos e com a evolução na carreira se tornam cada vez mais exigidos, para que se desenvolvam e internalizem os comportamentos de adaptação rápida à adversidade e, consequentemente, levem ao sucesso profissional (Surrador, 2001). No seu conjunto estas aspetos/ variáveis parecem tornar evidente a importância dos estudos sobre a noção de perfecionismo nos militares (Simões, 2008; Wang, Fu & Rice, 2012) pois dos cuidados no planeamento e execução das tarefas destes depende as suas vidas, assim como dos camaradas em armas.

Outras áreas de pesquisa que tentam identificar o perfil militar para o sucesso das tarefas em zonas de conflito têm evidenciado que as perceções de autoeficácia e empenho são consideravelmente elevadas, bem como os níveis de satisfação com as tarefas efetuadas e com o desempenho dos colegas (Silva & Nogueira, 2008; Silva, Rodrigues & Pinheiro, 2008).

O perfecionismo, o autoconceito e a agressividade, vistos como traços da personalidade dos militares, surgem de forma consistente como aspetos essenciais para a definição de um perfil convencional do militar, e tidos como requisitos para dar respostas adequadas às demandas profissionais e que na opinião de Simões (2008) se apresentam como essenciais, para promover uma maior coesão grupal e sucesso em contextos adversos.

Há uma tendência crescente na literatura da especialidade que apoia uma visão multidimensional do perfecionismo em que os aspetos positivos e negativos são incorporados (Chang, E., Chang, R., Sanna & Kade, 2007; Choy & McInerney, 2006; Hewitt & Flett, 2002; Macedo et al., 2009; Ongen, 2012). A literatura sugere várias dimensões do perfeccionismo, nomeadamente: Perfecionismo Auto-orientado, Perfecionismo Socialmente Prescrito e o Perfecionismo Orientado para os Outros (Hewitt & Flett, 2002). Na opinião de Macedo et al. (2009) o Perfecionismo Socialmente Prescrito é a dimensão que a maioria dos estudos tem associado a reações inadequadas e expressas nas manifestações comportamentais associadas ao stresse e às psicopatologias. Em contraste, o Perfecionismo Auto-Orientado tem sido principalmente descrito como um mecanismo adaptativo.

Há uma correlação positiva entre o perfeccionismo e o autoconceito (Choy & McInerney, 2006: Melo, 2005). Tendo por base as especificidades da cultura militar e os rigores dos teatros em que atuam, parece ser fundamental compreender qual o nível de autoconceito dos indivíduos e como estes se associam com o perfecionismo e agressividade, uma vez que o sucesso em tarefas realizadas em zonas de conflito depende das manifestações destas variáveis no desempenho enquanto em missões (Silva & Nogueira, 2008).

A literatura sugere que indivíduos agressivos tendem a percecionar e interpretar os estímulos e as condições do meio ambiente de formas mais hostis que os não-agressivos e que a capacidade empática destes para com os outros se encontra debilitada (Barros & Silva, 2006). A importância do estudo destas variáveis faz-se sentir, também, ao nível das repercussões comportamentais após períodos de exposição em teatros de conflito armado. Barros e Silva (2006) argumentam que no que se refere à capacidade para a resolução de problemas os indivíduos mais agressivos tendem a apresentar um reportório de respostas e soluções menos vasto e menos adaptativo, e que este tipo de perfil poderá, também coexistir com a incidência de perturbações mentais ou transtornos neuropsiquiátricos.

A associação entre perfecionismo e agressividade raramente tem sido motivo de pesquisa empírica na população em geral e de uma forma mais acentuada quando se tem por critério ser militar. A revisão da literatura evidencia que os estudos efetuados com militares são escassos e os existentes não abordam a problemática de uma forma dicotómica. Apesar da hostilidade e da irritabilidade (componentes da agressividade) se encontrarem conceitualmente relacionadas com a agressividade, estes termos não são sinónimos (Saboonchi & Lundh, 2003) e por essa razão é importante estudar ambos domínios como variáveis independentes uma da outra.

Quanto à relação entre perfecionismo, agressividade e irritabilidade, Masse, Jung e Pfister (2001) levantam a hipótese que a irritabilidade se encontra mais relacionada com oPerfecionismo Socialmente Prescrito do que com o Perfecionismo Auto-Orientado, na medida em que a irritabilidade representa uma resposta típica à perceção de um tratamento injusto por parte dos outros. O Perfecionismo Socialmente Prescrito correlaciona-se positivamente com os níveis de irritabilidade e negativamente com os níveis de supressão de irritabilidade (Hewitt et al., 2002). No entanto, importa ter presente que os militares não têm como ponto de partida para as tarefas que lhes são atribuídas se essas são justas ou não, daí que a literatura em torno da irritabilidade não se apresente esclarecedora do fenómeno que se pretende estudar. A realidade é que no processe de revisão da literatura não encontramos estudos que descrevessem a relação entre agressividade e perfecionismo quer em geral quer em contexto militar.

Os estudos respeitantes à relação entre autoconceito e agressividade são inconclusivos e escassos para a população militar. Alguns autores encontraram uma correlação negativa, enquanto outros estudos relataram uma correlação positiva (Masse et al., 2001; Saboonchi & Lundh, 2003). Masse et al. (2001) relatam que o autoconceito está negativamente correlacionado com as subescalas de irritabilidade e agressividade. Todavia, os mesmos autores não encontraram correlações com as subescalas de agressividade física e agressividade verbal. Estes resultados são consistentes com as interpretações que sugerem que os indivíduos com baixo autoconceito tendem a considerar os outros de forma igualmente negativa. Masse e colegas argumentam que tal facto é particularmente verdade para a agressividade associada a uma atitude ou a um conjunto complexo de atitudes relativas à perceção de agressividade nos outros. Hewitt et al., (2002) e Saboonchi e Lundh (2003) sugerem que esta perceção se faz repercutir em comportamentos como o ressentimento e a avaliação negativa de outros, o que poderá levar, por sua vez, a desajustamentos sociais. Masse et al. (2001) sustentam que o nível do autoconceito é um importante preditor de agressividade, de irritabilidade e de um complexo conjunto de atitudes relacionadas a estas dimensões comportamentais.

É sugerido na literatura que os perfeccionistas tendem a basear o seu autoconceito na perceção de autoeficácia (Fairburn, Cooper & Shafran, 2003; Shafran & Mansell, 2001; Shafran, Cooper & Fairburn, 2002). Quando há uma correspondência entre padrões pessoais perfeccionistas e desempenho real do sujeito, o indivíduo apresenta uma perceção elevada de autoconceito. Pelo contrário, quando existe uma discrepância entre o desempenho real e os padrões autoimpostos, os sujeitos apresentam um autoconceito baixo (Campbell & Di Paula, 2002). Choy e McInerney (2006) descobriram que tanto o perfecionismo auto-orientado como o socialmente prescrito estão negativamente associados com o autoconceito. Por outro lado, níveis elevados de Perfecionismo Socialmente Prescrito têm-se mostrado como desadaptativos e associados a um baixo autoconceito. Chang et al. (2007) sustentam que as relações negativas (por exemplo, uma maior propensão para a agressividade, níveis elevados de irritabilidade, maior reatividade negativa a situações do quotidiano e aumento de sintomas depressivos) podem estar associadas a indivíduos que apresentam um baixo autoconceito em comparação com indivíduos com um autoconceito elevado. De facto, algumas pesquisas apontam para possíveis ligações entre os resultados de um autoconceito elevado com condições negativas, por exemplo, uma maior agressividade (Chang et al., 2007; Choy & McInerney, 2006). No entanto, diversos estudos têm demonstrado que um elevado autoconceito, por si só, não é suficiente para promover um ajuste psicológico.

Durante a revisão da literatura constatou-se que existe um défice significativo de estudos que objetivam relacionar as variáveis de Autoconceito, Perfecionismo e Agressividade no contexto militar. Tal défice, por si só, parece-nos justificar a pertinência do presente estudo que tem por objetivo relacionar estas variáveis numa amostra de militares de ambos os géneros. Assim, os objetivos específicos da presente investigação são: i) comparar por género e patente militar ao nível dos diferentes perfis e das diferentes dimensões da agressividade, do autoconceito e perfecionismo; ii) correlacionar entre si os perfis de Agressividade, Autoconceito e Perfecionismo nos militares.

Método

Método

A presente investigação é de natureza transversal, quantitativa e quase-experimental, apresentando-se também os dados relativos à correlação entre as variáveis estudadas.

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Recorrendo à técnica de amostragem por conveniência, a amostra foi constituída por 183 militares, com idade entre 18 e 35 anos. De acordo com Levison (1990), a faixa etária que caracteriza o jovem adulto encontra-se entre os 20 e os 40 anos e, segundo Organização das Nações Unidas (2000) a faixa etária que caracteriza o jovem adolescente encontra-se entre os 15 anos e os 24 anos, critérios que foram tidos como referência no presente estudo. Os participantes têm uma média de idades de 21 anos e 10 meses (mínimo: 18; máximo: 35). Do conjunto amostral 9,8% dos sujeitos são do género feminino (N = 18) e 90,2% do género masculino (N = 165) sendo esta desigualdade representativa da realidade atual no contexto militar. No que respeita ao estado civil 8,2 % dos indivíduos são casados ou vivem em união de facto (N = 15) e 91,8% são solteiros ou divorciados (N = 168). Considerando o grau de escolaridade denota-se que 74,3% da amostra concluiu o ensino secundário (N = 136), 17,6% concluiu o ensino obrigatório (N = 23), 7,3% frequentou um curso profissional (N = 13) e, por último, 6% detém o grau de licenciado (N = 11). Do grupo em análise 55,7% é oriundo do meio urbano (N = 102) e 44,3% do meio rural (N = 81). No que concerne à patente militar, verifica-se que 60,1% dos participantes são Praças (N = 110), 31,7% são Oficiais (N = 52) e 8,2% Sargentos (N = 15); sendo o tempo médio de serviço de 31 meses e 7 dias (mínimo: 2 meses; máximo: 156 meses). Por fim, 59,6% da amostra selecionada demonstra intenção de prosseguir com a carreira militar (N = 109) e 55,7% respondeu ter pelo menos um elemento da família que exerceu funções nesta carreira profissional (N = 102).

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Os dados foram recolhidos através de questionários de autopreenchimento, nomeadamente o Inventário Clínico de Autoconceito (Vaz-Serra, 1986a). Este instrumento pretende avaliar a aceitação/ rejeição social, autoeficácia, maturidade psicológica e a impulsividade/ atividade. Os respondentes devem optar por uma de 5 alternativas de uma escala de tipo Likert que vai desde “Não concordo” a “Concordo muitíssimo”. A pontuação total pode variar entre 20 e 100 (20 itens), sendo que quanto mais elevado for o resultado final, melhor é o auto-conceito do respondente. No que se refere à sua interpretação, a uma maior pontuação correspondem maiores níveis de autoconceito (Vaz-Serra, 1986a). Este instrumento apresenta, na sua versão original, uma boa consistência interna (coeficiente de Chronbach) de .791 e uma boa estabilidade temporal, avaliada pelo coeficiente de correlação teste-reteste (.838).

A Escala Multidimensional de Perfecionismo (Hewitt & Flett, 1991; tradução de Soares, Gomes, Macedo, Santos & Azevedo, 2003) avalia o perfecionismo sob ponto de vista do modelo teórico de Hewitt e Flett (1991). Os itens são agrupados em torno dos seguintes construtos: o “perfecionismo auto-orientado” que refere-se à fixação de elevados padrões pessoais para uma determinada meta a alcançar. Por sua vez, o “perfecionismo orientado para os outros” diz respeito à tendência de um indivíduo para esperar que os outros sejam perfeitos nos seus desempenhos. O “perfecionismo socialmente prescrito” reporta-se à tendência do indivíduo em acreditar que os outros esperam que este seja perfeito (Chang et al., 2007; Choy & McInerney, 2006; Macedo et al., 2009). A escala é composta por 45 itens, que medem as três dimensões do perfeccionismo; é de tipo Likert com 7 opções de resposta, desde "discordo completamente" a "concordo completamente". As pontuações mais elevadas correspondem a maiores níveis de perfecionismo (Soares et al., 2003). A análise da fidelidade da tradução e adaptação para a população portuguesa evidenciou umalfa de Cronbach de .89 e um coeficiente de Spearman-Brown de .85 (Soares et al., 2003).

O Questionário de Agressividade (Buss & Perry, 1992; tradução e adaptação de Vieira & Soeiro, 2002) avalia quatro dimensões da agressividade: a “agressividade física” e “agressividade verbal”, representantes da componente comportamental da agressividade; a “irritabilidade”, que caracteriza a componente afetiva; e a “hostilidade” que assinala a componente cognitiva (Saboonchi & Lundh, 2003). E uma escala do tipo likert em que um total de 29 itens esta associado a respostas que variam entre 1 (Nunca, ou quase nunca); 2 (Poucas vezes); 3 (Algumas vezes); 4 (Muitas vezes); 5 (Sempre ou quase sempre). A uma maior pontuação correspondem maiores níveis de Agressividade (Buss & Perry, 1992). A análise de fidelidade para a população portuguesa demonstrou um alfa de Cronbach de .870 (Simões, 1993).

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Para a realização do presente estudo foram obtidas informações e autorizações cedidas pelas autoridades académicas e militares. Importa, ainda, ressaltar que o presente estudo seguiu uma perspetiva ética de confidencialidade e respeito pela integridade dos participantes. Todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. A presente investigação foi aprovada pela Comissão Científica e de ética da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Os dados foram recolhidos sob a forma de questionários de autopreenchimento e em grupo nos quartéis participantes.

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A análise estatística das variáveis deste estudo foi realizada com o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS–Windows 22.0).

No sentido de avaliar a consistência interna dos instrumentos utilizados, determinou-se o α de Cronbach para cada uma das escalas utilizadas, e de modo a aferir se as variáveis dependentes seguiam uma distribuição normal foram analisados os valores de skeweness e kurtosis. Neste seguimento constatou-se a possibilidade de utilização de testes paramétricos, nomeadamente a análise multivariada MANOVA para determinar o efeito das variáveis independentes sobre as variáveis dependentes; seguindo-se de uma análise univariada para determinar as diferenças entre género e patente militar. Recorreu-se, ainda, ao método coeficiente de correlação de Pearson para analisar as associações entre as variáveis dependentes. Em todas as análises estatísticas foram considerados valores de significância de p < .05. Para todas as análises realizadas são apresentadas as dimensões dos efeitos estatísticos tendo como critérios interpretativos sugeridos por Cohen (1992) e que são os seguintes: para a MANOVA valores de eta-quadrado parcial entre 0.01 e .059 são considerados pequenos, entre .06 e .139 moderados e quando superiores a .14 são definidos como grandes. Para as correlações os valores de critério são os seguintes: d ≥ . 20 e < .5, efeito médio > .5 e < .8 e por último efeito forte quando d ³.8.

Resultados

Resultados

Com o intuito de verificar a normalidade dos dados, foram analisados os valores de Skewness e Kurtosis. Constatou-se que para as variáveis Perfecionismo, Autoconceito e Agressividade os valores encontram-se dentro do intervalo de -1 e 1. São ainda apresentados os valores de alpha de Cronbach, onde se constata que os instrumentos são bastante consistentes, uma vez que todas as escalas apresentam valores superiores a 0.8. Perante estes dados procedeu-se à utilização de estatística paramétrica.

Análise Descritiva

No que diz respeito à Escala Multidimensional do Perfecionismo os resultados gerais indicam que são as Praças no sexo feminino e os Oficiais no sexo masculino que apresentam os valores mais elevados. Os resultados obtidos na subescala “perfecionismo socialmente prescrito”, indicam valores mais elevados nos praças no sexo feminino e nos oficiais no sexo masculino. No que concerne à subescala “perfecionismo auto-orientado” os resultados apontam para valores mais elevados nas praças no sexo feminino e nos oficiais no sexo masculino.

No Questionário de Agressividade, os resultados evidenciam que os praças, independentemente do sexo, apresentam maiores níveis de agressividade geral. Relativamente à subescala Agressividade Física, verifica-se que os valores mais elevados desta componente comportamental da agressividade encontram-se na patente militar Praças, independentemente do sexo ser feminino ou masculino. A subescala Agressividade Verbal indica que os valores mais elevados desta componente da agressividade se observam nos Praças do sexo feminino e no sexo masculino nos Sargentos. Os resultados da subescala Irritabilidade sugerem valores mais elevados nos Praças, tanto no sexo masculino como no feminino. No que concerne à subescala Hostilidade, verifica-se novamente que são os Praças que detêm os maiores valores desta componente da agressividade.

No que diz respeito ao Inventário Clínico de Autoconceito, verifica-se que no sexo feminino são os Praça que detêm os valores mais elevados de autoconceito geral e os Sargentos no sexo masculino. Na subescala do Autoconceito, a Aceitação Social apresenta valores mais elevados para as Praças no sexo feminino e os Oficiais no sexo masculino. Os resultados da subescala Autoeficácia demonstram níveis mais elevados desta componente do autoconceito no sexo feminino nas Praças e no sexo masculino nos Sargentos. No que se refere à subescala Maturidade Psicológica, verifica-se que os Oficiais detêm valores mais elevados desta componente do autoconceito, independentemente do sexo. Os resultados obtidos na subescala Impulsividade apontam para níveis mais elevados na patente militar Oficiais.

Análise Comparativa

Não foi encontrado um efeito multivariado significativo, no que diz respeito ao sexo, na Escala Multidimensional de Perfecionismo (Tabela 1).

Tabela 1. Escala Multidimensional de Perfecionismo (Média e Desvio Padrão).

PSIENCIA Revista Latinoamericana de Ciencia Psicologica 9 2 Vaconcelos Raposo et al Tabela1

Nas comparações por sexo em função da agressividade encontrou-se um efeito significativo, mas pequeno (F (4,173) = 2.491, p = .045, ηp2 = .054; λ Wilk = .946). A análise univariada produziu diferenças significativas nas subescalas de Agressividade Física (p = .009) e Agressividade Verbal (p = .007). Não foram encontradas diferenças ao nível do autoconceito (Tabela 1)

Tabela 2. Questionário de Agressividade (Média e Desvio Padrão).

PSIENCIA Revista Latinoamericana de Ciencia Psicologica 9 2 Vaconcelos Raposo et al Tabela2

As comparações por patente não evidenciaram qualquer efeito significativo, na variável perfeccionismo. As comparações ao nível das dimensões agressividade demonstraram efeitos significativos (F (8, 346) = 2.374, p = .017, λ Wilk = .899), com um efeito pequeno sugerido pelo valor de eta (ηp2 = .052). A análise univariada produziu diferenças significativas nas subescalas de Irritabilidade (p = .014) e Hostilidade (p < .001), (Tabela 2).

Tabela 3. Questionário de Autoconceito (Média e Desvio Padrão).

PSIENCIA Revista Latinoamericana de Ciencia Psicologica 9 2 Vaconcelos Raposo et al Tabela3

As comparações ao nível do Autoconceito demonstraram um valore de p não significativo mas um efeito pequeno (F (10.344) = 1.297, p = .23, ηp2 = .036, λ Wilk = .929. A MANOVA evidenciou diferenças significativas nas subescalas de Autoeficácia (p = .031) e Maturidade Psicológica (p = . 025) (Tabela 3).

Correlações

A análise de correlação de Pearson foi utilizada para verificar os níveis de correlação entre as variáveis dependentes. Os valores de correlação devem ser lidos com alguma reserva, apesar da amostra ter uma expressão representativa, recordamos que de acordo com os critérios de Cohen (1992) são considerados com efeito pequeno os valores de d ≥ . 20 e < .5, efeito médio > .5 e < .8 e por último efeito forte quando d ³.8.

Os valores relativos ao Perfecionismo apresentam correlações positivas com valores pequenos mas significativos entre todas as subescalas do Autoconceito Geral, nomeadamente a Aceitação Social (r2 = .158, p = .033, d > .3), Autoeficácia ( r2 = .236, p = .033, d > .3), Maturidade (r2 = .168, p = .023,d > .3) e Impulsividade (r2 = .257, p < .001, d > .5). O perfecionismo socialmente prescrito detém uma correlação fraca positiva e estatisticamente significativa com as subescalas da agressividade. Irritabilidade ( r2 = .328, p < .001, d > .6) e Hostilidade (r2 = .272, p < .001, d > .5). Correlaciona-se, ainda, negativamente de forma significativa e fraca com as componentes do autoconceito Aceitação Social ( r2 = -.209, p = .004, d > .4), Autoeficácia (r2 = -.228, p = .002, d > .4) e Maturidade Psicológica (r2 = -.249, p = .001, d > .5).

A Agressividade geral correlaciona-se significativamente de forma negativa e fraca com o Autoconceito Geral (r2 = -.342, p< .001), bem como com todas as suas subescalas. A Agressividade Física apresenta correlações fracas significativamente negativas com a Aceitação Social (r2 = -.182,p = .014, d > .3), Autoeficácia ( r2 = -.216, p = .003, d > .4), Maturidade Psicológica (r2 = -.226, p = .002,d > .4) e Impulsividade (r2 = -.15, p = .042, d > .2). A Irritabilidade correlaciona-se da mesma forma com a Aceitação Social (r2 = -.221,p = .003, d > .4 ), Autoeficácia ( r2 = -.313, p< .001, d > .7), Maturidade Psicológica (r2 = -.329, p< .001, d > .6) e Impulsividade (r2 = -.155, p = .036, d > .3).

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Discusión

Discusión

A presente investigação objetivou compreender o perfil dos jovens militares portugueses no que diz respeito aos níveis de perfecionismo, agressividade e autoconceito. Após a realização dos procedimentos estatísticos, verificou-se que os jovens militares com patente de oficiais apresentaram níveis elevados de perfecionismo. Este facto está concordante com os altos padrões de exigência, eficácia e liderança estipulados pelo Exército e pelos próprios militares, com a finalidade de serem alcançadas estratégias que promovam os comportamentos de adaptação à adversidade e ao sucesso profissional (Surrador, 2001). Observou-se, ainda, que os indivíduos que integraram o presente estudo apresentaram níveis elevados de autoconceito. Este facto encontra-se de acordo com o que se espera em contexto militar, uma vez que esta profissão requer altos padrões de autoeficácia, na medida em que esta promove um bom ajustamento psicológico em condições adversas (Silva & Nogueira, 2008; Silva et al., 2008).

Os resultados obtidos permitem descrever níveis moderados de Agressividade nos militares, o que, segundo a nossa perspetiva, representa uma função adaptativa para estes profissionais. Uma vez que a literatura aponta para o facto de indivíduos mais agressivos deterem baixos níveis de capacidade empática e esta, por sua vez, ser uma das qualidades apresentadas pelos militares como fundamentais para um bom ajustamento psicológico à adversidade e para uma boa coesão grupal. Estes valores moderados podem também ser explicados por diversos fatores como a circunstância, o contexto cultural, os objetivos e a valoração da ação que condicionam a manifestação dos comportamentos agressivos tal como as pessoas as aprendem por exposição ao contexto sociocultural em que se desenvolvem (Bandura & Cervone, 1983, Lorenz, 1966). Os valores obtidos no presente estudo parecem sugerir que os militares estudados inibem a sua agressividade. Toda a formação e treino para a praxis militar assenta na capacidade dos formandos poderem, no futuro, conter os impulsos para agir de forma mais imediata e agressiva e assim serem capazes de se certificarem que ações ocorrem no momento e contexto mais adequado para os comportamentos a assumir nos teatros em causa: quer seja a nível bélico quer seja na manutenção da ordem social. Aqui importa ter presente a noção de missão, em contexto militar, pois ela implica atuar, mesmo que de forma mais agressiva para defender um interesse valor maior ou, se se quiser, mais nobre. Por outro lado, esta formação é complementada com a preocupação em transmitir aos militares a importância de adotarem posturas sociais que de forma sistemática e inquestionável transmitam a mensagem que estes são os salvaguardas da tranquilidade e paz social (Fonte: entrevista a militares ex-combatentes na guerra colonial nos países africanos de língua portuguesa).

Nas comparações entre géneros, verificaram-se diferenças significativas nas componentes Agressividade Física e Agressividade Verbal, tendo as mulheres apresentado níveis relativamente inferiores aos dos homens. Resultados semelhantes foram encontrados por Chen. X., Chen, L., Wang e Liu (2002). Atualmente, na formação militar, homens e mulheres são tratados de modo semelhante, quando os dados sugerem que as suas características psicológicas são distintas, nomeadamente ao nível do perfil de agressividade, tal discrepância parece sugerir a necessidade de implementação de processos e conteúdos diferentes para os programas que visam a formação de patentes que se alicerçam em práticas que resultam de perfis equivalentes na mesma cultura institucional. Atualmente, ao nível do treino militar, parece ignorar-se que o direito de igualdade de acesso às funções não pode ser feito sem ter em consideração as diferenças culturais entre os géneros. Ao longo dos processo de enculturação, na aprendizagem dos papéis sociais a serem desempenhados por homens e mulheres há diferentes expectativas quanto o tipo de manifestação de alguns comportamentos e, por tradição, tem sido entendido que os homens devem ser mais agressivos do que as mulheres o que levou a que até à década de 70 (durante todo o período da guerra colonial) se recrutasse apenas homens para combater. Assim de forma a se uniformizar as práticas militares e se assegurara maiores níveis de eficácia ao nível da liderança, importa ultrapassar as diferenças socioculturais com homens e mulheres integram a carreira militar. Para isso, parece evidente ser necessário implementar treinos específicos para cada um dos géneros.

Relativamente à análise comparativa por patente militar. Foram encontradas diferenças significativas ao nível do Autoconceito nas suas componentes Autoeficácia e Maturidade Psicológica nos Sargentos. Parece-nos que estes resultados se coadunam com as funções desempenhadas pelos Sargentos, nomeadamente de comando e administração de uma fração de uma unidade militar, práticas que requerem elevados níveis de autoeficácia e de funções de instrução de praças, o que requer elevados níveis de maturidade psicológica. Observa-se, ainda, diferenças significativas ao nível da Agressividade nas suas componentes Irritabilidade e Hostilidade nos Praças. Estes resultados podem ser explicados pela pressão da supervisão dos superiores hierárquicos que os formam para respeitar e obedecer normas pouco flexíveis. Apesar de não ser significativo, os oficiais apresentam valores mais elevados de Perfecionismo o que se justifica pelas maiores responsabilidades de comando dentro da sua especialidade (Ministério da Defensa Nacional 2005).

A literatura evidencia que elevados níveis de Perfecionismo Auto-orientado e Perfecionismo Socialmente Prescrito, estão associados a menores pontuações totais no Autoconceito. Este facto é particularmente relevante na subescala Perfecionismo Socialmente Prescrito que se encontra associada de forma negativa às escalas do Autoconceito (Campbell & Di Paula, 2002; Choy & McInerney, 2006). O Perfecionismo Socialmente Prescrito correlaciona-se negativamente com a escala de Autoconceito e com as suas componentes Aceitação Social, Autoeficácia e Maturidade Psicológica.

Masse et al. (2001) sustenta que quanto maior o nível de agressividade, menor o nível de autoconceito. Segundo o mesmo autor estes resultados são particularmente visíveis nas subescalas Irritabilidade e Hostilidade, do Questionário de Agressividade, uma vez que os indivíduos com baixo autoconceito tendem a considerar os outros de forma mais negativa. De encontro a estes factos, os resultados da investigação demonstram que o Autoconceito se correlaciona de forma negativa com a Agressividade, nomeadamente nas suas componentes Irritabilidade e Hostilidade.

Os resultados obtidos indicam uma correlação positiva entre a Irritabilidade, Hostilidade e o Perfecionismo Socialmente Prescrito, facto que é consistente com outros dados encontrados na literatura. Masse et al. (2001) reitera, inclusive que a Irritabilidade pode resultar de respostas baseadas na perceção de tratamento injusto pelos outros. Neste caso, os princípios de igualdade vigentes na sociedade civil confrontam-se com a disciplina da responsabilidade hierárquica praticada em contextos militares e sem a qual a instituição perde eficácia funcional.

Apesar de grande parte dos resultados obtidos na presente investigação ir de encontro à revisão de literatura, é necessário aprofundar as relações estudadas, uma vez que é escassa a literatura com amostras deste tipo. Devido ao facto da presente investigação se tratar de um estudo piloto, é necessário que a amostra seja alargada a níveis mais representativos quer ao nível nacional quer por tipo de ramo das forças armadas.

Em resultado dos dados obtidos e tendo por base as diferenças resultantes dos processos de enculturação e socialização de ambos os sexos, parece-nos pertinente recomendar a realização de treinos diferentes para o género feminino relativamente ao género masculino no que concerne à agressividade física e à agressividade verbal; de modo a que as diferenças culturais sejam minimizadas e que correspondam às necessidades das funções exigidas a cada patente militar.

No que respeita ao perfil geral dos militares, os resultados permitem concluir que estes profissionais se caracterizam por níveis elevados de Perfecionismo e Autoconceito gerais e níveis moderados de Agressividade. No que concerne à comparação destes resultados por género, constatou-se que a diferença entre feminino e masculino apenas se verifica a nível da agressividade, sendo o género feminino o que apresenta valores significativamente mais baixos. No que se refere à comparação destes resultados por patente militar, observa-se que a diferença entre Sargentos, Praças e Oficiais se verifica a nível do Autoconceito e da Agressividade. Neste sentido os resultados mais elevados são representados pelos Praças na componente Agressividade e pelos Sargentos na componente Autoconceito.

Os resultados da presente investigação estão em consonância com o que foi encontrado aquando da revisão da literatura apresentada. Isto é: a Agressividade correlaciona-se negativamente com o Autoconceito, ou seja, maiores níveis de agressividade podem predizer menores níveis de autoconceito e vice-versa. A Agressividade correlaciona-se, ainda, de forma positiva com o Perfecionismo, isto é, maiores níveis de Agressividade podem predizer maiores níveis de Perfecionismo e vice-versa. Seria recomendável que durante a instrução para oficiais se tivessem em conta a necessidade de minimizar diferenças culturalmente impostas na diferenciação entre géneros de modo a ser possível formar quadros que preencham, adequadamente; os requisitos de lideranças prescritos para os contextos militares.

Em estudos futuros deverão ser evidenciados esforços para aumentar o número de militares do sexo feminino de forma a que seja possível obter maior consolidação das evidências que sustentam os argumentos avançados neste estudo. Outro aspecto a ter, ainda, em consideração são os fatores de ordem sociocultural que possam explicar as diferenças dos comportamentos entre homens e mulheres em contexto militar e assim tornar-se possível dar início ao estudo da necessidade de treino diferenciado para ambos os sexos.

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